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Automação de Processos Administrativos: por Onde Começar a Pesquisar?

8 de setembro de 2026

Automação de Processos Administrativos: por Onde Começar a Pesquisar?
 

Introdução

A automação de processos administrativos deixou de ser apenas uma iniciativa de tecnologia e passou a ocupar espaço estratégico nas empresas que buscam produtividade, redução de custos, maior controle operacional e melhoria da experiência dos colaboradores. Atividades como lançamento e conferência de dados, emissão de documentos, processamento de notas fiscais, atualização de sistemas, elaboração de relatórios e gestão de solicitações apresentam características particularmente favoráveis à automação.

Entretanto, iniciar um projeto de automação simplesmente escolhendo uma ferramenta pode levar a resultados limitados. O ponto de partida mais adequado é compreender como os processos funcionam atualmente, identificar gargalos e avaliar quais atividades realmente apresentam potencial de automação. A literatura recente sobre Business Process Management (BPM), Robotic Process Automation (RPA), process mining e inteligência artificial reforça justamente essa necessidade de combinar tecnologia, gestão de processos e governança.

O primeiro passo: entender o processo atual

Antes de pesquisar ferramentas, a empresa deve mapear seus processos administrativos. O objetivo é responder perguntas como: quem executa cada atividade? Quais sistemas são utilizados? Quais informações precisam ser inseridas manualmente? Onde ocorrem erros, retrabalho e esperas? Quais etapas dependem de aprovação?

Essa análise do processo “como ele é ”o chamado as-is” é fundamental, estudos sobre RPA e process mining destacam que muitas organizações tentam automatizar sem possuir uma visão suficientemente precisa de como os processos são realmente executados. O process mining pode contribuir justamente para descobrir padrões, gargalos e desvios a partir dos registros gerados pelos sistemas corporativos, na prática, processos repetitivos, baseados em regras, com grande volume de transações e poucas exceções costumam ser bons candidatos para uma primeira iniciativa de automação.

O que pesquisar primeiro?

Para uma pesquisa empresarial estruturada, vale organizar o estudo em cinco frentes.

  1. Business Process Management (BPM)

O BPM oferece uma visão mais ampla do gerenciamento de processos. Em vez de pensar apenas em “automatizar tarefas”, a empresa passa a analisar o processo completo: modelagem, execução, monitoramento, melhoria e redesenho.

Uma publicação recente de Peter Fettke e Chiara Di Francescomarino apresenta uma revisão sobre a integração entre BPM e inteligência artificial, abrangendo temas como modelagem, análise, redesenho, implementação e monitoramento de processos. O trabalho é particularmente relevante para empresas que pretendem combinar automação tradicional com recursos de IA.

  1. Robotic Process Automation (RPA)

O RPA é um dos conceitos mais importantes para pesquisar quando o objetivo é automatizar atividades administrativas. Robôs de software podem executar tarefas repetitivas em diferentes sistemas, especialmente quando as regras são claras e as operações seguem padrões previsíveis.

A literatura acadêmica aponta aplicações relevantes de RPA justamente em áreas administrativas e financeiras, onde há grande volume de processamento de dados e atividades repetitivas. ScienceDirect, por isso, uma boa pesquisa deve investigar não apenas “qual ferramenta de RPA utilizar”, mas também quais características tornam um processo adequado para RPA.

  1. Process Mining

process mining merece atenção porque ajuda a transformar dados operacionais em evidências para a tomada de decisão. Em vez de depender exclusivamente de entrevistas com funcionários, a organização pode analisar os registros deixados pelos sistemas corporativos para entender o fluxo real dos processos, essa abordagem é especialmente útil para descobrir que um processo aparentemente simples possui diversas exceções, aprovações e retrabalhos. Nesse cenário, automatizar imediatamente pode significar simplesmente acelerar um processo ruim.

  1. Inteligência artificial e automação inteligente

A pesquisa atual também deve incluir inteligência artificial. A evolução dos modelos de linguagem, processamento inteligente de documentos e agentes de IA está ampliando o que pode ser automatizado.

Um estudo publicado em 2025, por exemplo, analisou uma abordagem de automação de ponta a ponta para processamento de despesas corporativas combinando IA generativa, Intelligent Document Processing (IDP) e um agente de automação. O estudo relata redução superior a 80% no tempo de processamento de determinadas tarefas relacionadas a recibos, além de melhorias de precisão e conformidade no caso analisado, isso demonstra uma mudança importante: a automação administrativa está evoluindo de simples tarefas baseadas em regras para fluxos capazes de lidar também com documentos e informações menos estruturadas.

  1. Pessoas, governança e mudança organizacional

Automação não é apenas uma questão tecnológica. Processos administrativos envolvem pessoas, responsabilidades, controles e decisões. Portanto, a pesquisa deve incluir gestão da mudança, capacitação, segurança, privacidade, governança e definição das responsabilidades humanas, uma revisão sistemática publicada em 2025 destaca que a automação pode gerar ganhos de eficiência, mas também exige atenção aos impactos sobre o trabalho e à necessidade de requalificação profissional.

Como transformar a pesquisa em um projeto empresarial

Depois da revisão conceitual, a empresa pode selecionar um processo-piloto. O ideal é começar por uma atividade que combine alto volume, esforço manual significativo, regras relativamente claras e risco controlável.

Por exemplo, em vez de tentar automatizar imediatamente todo o departamento financeiro, pode-se começar pelo recebimento e classificação de documentos, conciliação de informações, atualização de cadastros ou geração de determinado relatório.

Antes da implementação, recomenda-se estabelecer indicadores como:

  • Tempo médio de execução;
  • Custo por transação;
  • Quantidade de erros;
  • Volume de retrabalho;
  • Número de exceções;
  • Tempo de atendimento;
  • Produtividade da equipe;
  • Nível de conformidade.

Esses indicadores permitem comparar o processo antes e depois da automação e determinar se o investimento realmente produziu valor.

Uma mudança importante: de automação de tarefas para automação de processos

A tendência mais relevante da pesquisa atual é a integração entre BPM, RPA, process mining, IA generativa, processamento inteligente de documentos e agentes de automação.

Isso significa que o objetivo empresarial não deve ser simplesmente “substituir uma tarefa manual por um robô”. O verdadeiro potencial está em redesenhar o processo para que diferentes tecnologias trabalhem em conjunto, mantendo pessoas nas etapas que exigem julgamento, responsabilidade e tomada de decisão.

Pesquisas recentes sobre agentes baseados em modelos de linguagem, por exemplo, indicam que eles podem oferecer maior flexibilidade do que o RPA tradicional em determinadas interfaces e situações dinâmicas, embora o RPA ainda apresente vantagens de velocidade e confiabilidade em processos repetitivos e estáveis.


Conclusão

Para uma empresa que deseja iniciar uma pesquisa sobre automação de processos administrativos, o melhor caminho não é começar pela escolha de uma plataforma. É começar pelo entendimento dos processos e dos problemas de negócio.

BPM ajuda a estruturar a gestão dos processos; process mining permite compreender como eles realmente acontecem; RPA automatiza atividades repetitivas e baseadas em regras; enquanto IA, processamento inteligente de documentos e agentes de automação ampliam a capacidade de lidar com informações não estruturadas e situações mais complexas.

A recomendação, portanto, é seguir uma sequência lógica:

mapear → medir → identificar oportunidades → priorizar → redesenhar → automatizar → monitorar → melhorar continuamente.

Dessa forma, a automação deixa de ser apenas um projeto de tecnologia e passa a funcionar como uma iniciativa de transformação operacional, capaz de gerar ganhos sustentáveis de produtividade, controle, qualidade e capacidade de crescimento.

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