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BOAS PRÁTICAS DE GOVERNANÇA EM TI

30 de January de 2026

A Tecnologia da Informação ocupa hoje uma posição central nas organizações. Sistemas sustentam operações, dados orientam decisões estratégicas e integrações conectam cadeias inteiras de valor. Nesse cenário, não basta apenas ter tecnologia disponível. É necessário governar a TI, garantindo que ela esteja alinhada aos objetivos do negócio, opere com segurança, tenha previsibilidade e entregue valor contínuo.

Governança em TI não se confunde com gestão técnica do dia a dia. Trata-se de um conjunto de princípios, processos, responsabilidades e controles que asseguram que a tecnologia seja utilizada de forma estratégica, controlada e mensurável. Empresas que adotam boas práticas de governança reduzem riscos operacionais, evitam desperdícios, melhoram a tomada de decisão e elevam a maturidade de seus ambientes tecnológicos.

O QUE É GOVERNANÇA EM TI

Governança em TI é o modelo pelo qual a organização define quem decide, como decide e com base em quais critérios as questões relacionadas à tecnologia. Ela estabelece diretrizes para:

  • Priorização de demandas e projetos;
  • Controle de mudanças em sistemas;
  • Gestão de riscos e segurança da informação;
  • Continuidade de serviços críticos;
  • Monitoramento de desempenho e qualidade;
  • Conformidade com normas e regulamentações.

Frameworks como COBIT, ITIL, ISO 27001 e ISO 38500 são referências amplamente utilizadas para estruturar essa governança, mas o mais importante é a aplicação prática desses conceitos no contexto da empresa.

  1. ALINHAMENTO ENTRE TI E OBJETIVOS DO NEGÓCIO

Uma das principais boas práticas é garantir que a TI não opere de forma isolada. Toda demanda tecnológica deve estar conectada a um objetivo claro do negócio, como aumento de eficiência, redução de custos, melhoria de experiência do cliente ou conformidade regulatória.

Isso exige:

  • Priorização formal de projetos;
  • Participação das áreas de negócio nas decisões de TI;
  • Definição clara de indicadores de sucesso para cada iniciativa.

Quando esse alinhamento não existe, surgem sistemas pouco utilizados, retrabalho e investimentos que não geram retorno.

  1. GESTÃO FORMAL DE MUDANÇAS (CHANGE MANAGEMENT)

Alterações em sistemas críticos sem controle são uma das maiores causas de indisponibilidade e incidentes. A governança estabelece processos formais para:

  • Solicitação de mudanças;
  • Avaliação de impacto;
  • Aprovação por responsáveis;
  • Testes antes da implantação;
  • Registro e documentação da alteração.

Esse processo reduz falhas, melhora a rastreabilidade e evita que correções emergenciais gerem novos problemas.

  1. DOCUMENTAÇÃO E GESTÃO DO CONHECIMENTO

Ambientes sem documentação dependem excessivamente de pessoas específicas. Isso gera riscos quando há afastamentos, desligamentos ou crescimento da operação.

Boas práticas incluem:

  • Documentação de arquitetura de sistemas;
  • Registro de integrações e dependências;
  • Manuais operacionais e procedimentos de suporte;
  • Histórico de alterações relevantes.
  • A documentação é um dos pilares para continuidade e maturidade da TI.
  1. DEFINIÇÃO DE SLAS E MONITORAMENTO CONTÍNUO

Sistemas críticos precisam de níveis de serviço claros. A governança estabelece:

  • SLAs de atendimento e resolução de incidentes;
  • Monitoramento ativo de aplicações e infraestrutura;
  • Indicadores de disponibilidade e performance;
  • Planos de resposta a incidentes.

Isso garante previsibilidade e rapidez na resolução de problemas.

  1. SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO E CONTROLE DE ACESSOS

A governança de TI deve incluir políticas claras de segurança, como:

  • Autenticação forte e controle de privilégios;
  • Revisão periódica de acessos;
  • Uso de criptografia e certificados digitais quando necessário;
  • Backup e planos de recuperação de desastres;
  • Conformidade com normas como LGPD.

A segurança não pode ser tratada como item opcional, mas como parte estrutural da operação.

  1. GESTÃO DE FORNECEDORES E OUTSOURCING

Muitas empresas utilizam parceiros externos para desenvolvimento, manutenção ou suporte. A governança deve garantir que esses fornecedores operem dentro de padrões definidos, com:

  • Contratos claros e SLAs definidos;
  • Indicadores de desempenho;
  • Processos de comunicação e acompanhamento;
  • Exigência de documentação e transferência de conhecimento.

O parceiro deve atuar como extensão da equipe interna, e não como uma caixa-preta.

  1. INVENTÁRIO E CONTROLE DE ATIVOS DE TI

 

Saber exatamente quais sistemas, servidores, bancos de dados, integrações e licenças existem no ambiente é essencial para controle e planejamento.

Essa prática permite:

  • Evitar redundâncias;
  • Planejar atualizações e substituições;
  • Controlar custos de licenças;
  • Identificar pontos de risco e obsolescência.
  1. INDICADORES E TOMADA DE DECISÃO BASEADA EM DADOS

A governança eficaz utiliza métricas para orientar decisões. Alguns exemplos:

  • Tempo médio de atendimento de incidentes;
  • Disponibilidade de sistemas;
  • Quantidade de mudanças emergenciais;
  • Volume de retrabalho;
  • Custos de manutenção por sistema.

Esses indicadores ajudam a identificar gargalos e oportunidades de melhoria.

O PAPEL DA GOVERNANÇA NA MODERNIZAÇÃO DE SISTEMAS LEGADOS

Empresas que possuem sistemas antigos e integrações complexas precisam ainda mais de governança. Sem ela, qualquer tentativa de modernização gera riscos elevados.

A governança permite mapear dependências, priorizar evoluções, reduzir riscos e planejar a modernização de forma estruturada e segura.

CONCLUSÃO

Governança em TI não é burocracia. É o que permite que a tecnologia entregue valor real ao negócio com segurança, previsibilidade e eficiência. Empresas que adotam boas práticas conseguem reduzir riscos, melhorar a qualidade dos serviços e preparar o ambiente tecnológico para crescer de forma sustentável.

A governança transforma a TI de um centro de custos reativo em um pilar estratégico da organização.

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